Sento Sé: O medo é que algum dia o “mar” também vire sertão.

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O Lago de Sobradinho, no norte da Bahia, está com apenas 11,91% de sua capacidade total de armazenamento, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) atualizados hoje, sexta-feira (30/06).

Na ilha de Andorinha, distante 18km da sede do município a realidade hoje lá é bastante crítica e assustadora, não se vê mais o tão querido Rio São Francisco onde em suas águas banhava a população, hoje só se vê troncos de árvores e bancos de areia podendo até ser vista a “olho nu” uma parte da Itapera velha inundada no ano de 1978 pela construção da Barragem de Sobradinho. Em trechos que era possível atravessar com embarcação já é possível percorrer caminhando sem molhar os pés.

O agricultor José Vieira da Silva, ver seu parreiral totalmente destruído por falta de água.

Não é só o Velho Chico que sofre com a seca, quem vive da agricultura e da pesca também está sofrendo com essa situação. É o caso do agricultor José Vieira da Silva proprietário da fazenda Água Santa que fica localizada as margens do lago de Sobradinho no município de Sento Sé. O mesmo ver seus 20 hectares irrigados entre uva, cebola, milho, maracujá, mamão, macaxeira e hortaliças totalmente destruídos, pois o lago encontra-se com aproximadamente 10km de distância de suas plantações, ficando assim impossibilitado de exercer qualquer atividade agrícola. “Hoje é bastante complicado a gente ver a situação daqui a falta de água e os plantios que a gente ganhava dinheiro, não tem como ganhar. A água está faltando e é quantidade mínima, fica dificultoso, não dá para plantar”.

Diante da grande seca que Rio está passando nos últimos anos o pescador Aldenir Gomes e muitos outros que dependem da pesca retornam constantemente para casa com as redes vazias. “Para o peixe mesmo está muito difícil. Primeiro a cinco anos atrás eu trabalhei de pegar peixinho, agora é uma raridade. Para sobreviver mesmo, dependendo de pegar peixe, sobrevive não”.

“O sertão vai virar mar, dá no coração o medo que algum dia o mar também vire sertão.” A música composta por Sá & Guarabyra no ano de 1999 por causa da construção da barragem de Sobradinho que inundou quatro cidades: Remanso, Casa Nova, Sento Sé e Pilão Arcado já mostrava a preocupação com o velho chico.

Hoje, o São Francisco é o Velho Chico, é o rio da integração nacional, o rio do cerrado, da caatinga e do sertão, o rio do Brasil, o rio da polêmica da transposição, o rio que sofre, o rio que precisa urgentemente de uma solução.

Texto/Foto: Gabriel Filliph – Sento Sé Notícias | Apoio: Dioene Oliveira

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