História de Sento Sé

O município de Sento-Sé, fica situado à margem direita da barragem do lago de Sobradinho, é também banhada pelos rios verde, jacaré e Bazoá e está localizado no baixo médio São Francisco, estando o seu território totalmente incluído no polígono das secas, altitude médio de 380 metros. Fundada em 06 de julho de 1832, através de decreto imperial publicado no Diario Oficial em 06/07/1832, lei vigente 628 datada de 30/12/1953 publicada no Diario Oficial em 18/02/1954, tendo como origem o município de Pilão Arcado, tem como fronteira os municípios de Campo Formoso, Casa Nova, Itaguaçu da Bahia, Jussara, São Gabriel, Morro do Chapéu, Pilão Arcado, Remanso, Sobradinho e Umburanas. Tantas cidades como divisas dão a dimensão da extensão territorial de Sento-Sé, que possui 12.871 Km2 e é o 3º maior município do estado em território, segundo dados da SEI – Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia.

Apresenta um clima semi – árido, com chuvas irregulares que vão de Novembro a Janeiro. Acidentes geográficos: Lago de Sobradinho, Rio Verde as serras da Gameleira, fazenda Brejo Grande, a serra das Almas e a serra da Gruna no distrito de Amaniú; a serra da Palmeira no distrito de Américo Alves; a serra do Mimoso no distrito de Minas de Mimoso; a serra do Cachorro Queimado e a serra do São Pedro no distrito de Pirí, os morros velho do Pascoal, da Dispensa do Tombador, Monte Cruzeiro e Tambor são mais importantes do município, a gruta da Pedra Branca na Fazenda do mesmo nome e as grutas do São Pedro, gruta dos Prazeres e Bananeira são as únicas existentes no município.

HISTÓRICO – O nome Sento-Sé tem sua origem de uma tribo indígena chamada Centoce. Os primeiros povoadores foram portugueses vindos de lavouras de cana-de-açúcar e edificaram engenhos. Em 1719 foi construída uma capela dedicada a São José da Barra, e em 1752 teve como seu primeiro vigário o Pe. Domingo Alves de Souza, feita a correção gramatical passa a ser chamado e escrito como o arraial de Sento-Sé. Por muitos anos imperou o coronelismo. Em 06 de julho de 1832 um decreto provincial criou o município de Sento-Sé, em 21 de novembro de 1883 foi confirmada a emancipação política com a presença do presidente da província Joaquim José Pinheiro Vasconcelos.

No ano de 1930, Sento-Sé sofre a pressão de revoltosos e a população é maltratada com pancadas e prisões, novamente em 1932 Sento-Sé passa por momentos difíceis, Lampião passa pelo distrito de Américo Alves no povoado de Quixaba e faz o povo tremer de pavor, depois de assaltar o comércio vai embora e pernoita na Gruta da Palmeira. Alguns tempos depois a cidade volta a sua normalidade com a pesca e a agricultura de subsistência.

Com a necessidade de gerar mais energia elétrica para o Nordeste, faz-se necessário submergir algumas áreas próximas ao Rio São Francisco, a barragem de Sobradinho era inevitável.

No ano de 1971 recebendo com grande surpresa a notícia que a “CHESF” daria início a construção da barragem, Pânico Geral!

A partir deste primeiro comunicado deu-se a seqüência a várias reuniões para estabelecer-se o local para onde iria a nova Sento-Sé. Seja Piçarrão? Pirí? Ou Tombador?.

Quantas lágrimas, quantas tristezas, pior, perdas de memórias, mortes apaixonadas e repentinas. No município tudo isso aconteceu. Estavam acostumados ao torrão natal, ao carnaubal, ao rio São Francisco, as cozinhas humildes, más que viu nascer e crescer.

A CHESF não aceitava debate. Começam as míseras indenizações em 1970, as permutas de casas e de roças. Algumas famílias a CHESF resolveu levar para as Agrovilas em Bom Jesus da Lapa. E quantas ofertas boas. Era desnatural o tamanho do feijão, do milho, do tomate, até filmes, As moradias “Santo Deus”, não eram casas… Eram sobrados. E muita gente se foi, alguns puderam voltar e outros nem este direito tiveram.

Em 1975 começaram as mudanças, lentamente dava-se o adeus, as casas derrubadas, as roças queimadas, o plantio abandonado, as fruteiras desvalorizadas, os paus de arara transportando gente. As barracas de lona para abrigar as crianças. Em 10 de outubro de 1976 chegou à vez de mudar a sede da municipalidade, e em seguida as mudanças das famílias por completo, o mesmo sofrimento. A casa número 01.. a casa número 02… Que ora era pequena demais. Novembro de1976, última mudança. Atras deixavam-se parentes falecidos, casas caídas, a história. Aqui finda Sento-Sé de ontem, abrindo espaço para uma nova vida numa nova cidade. A velha Sento-Sé foi inundada pelas águas do grande lago de Sobradinho.

Atualmente, Sento Sé possui cerca de 38.000 habitantes, divididos entre a sede e o interior, segundo dados do IBGE.

As atividades econômicas do município baseiam-se no cultivo irrigado da cebola, tomate, uva manga, melão, melancia, aspargo, além das culturas de subsistência como: milho, mandioca, mamona, feijão, também há o fabrico de esteiras de tábua e de doces de frutas nativas como, umbu, maracujá do mato e etc. Riqueza natural: O solo do município é rico em ametista, galena, manganês, cristal de rocha, magnesita, ferro, talco, calcário e outras. As fontes de águas termais no Brejo da Brásida e da Batateira, a fauna é rica em peixes e de animais de pequeno porte. Na pecuária a criação de bovinos, ovinos e caprinos.


Atualmente Sento-Sé, esta geograficamente assim distribuído:


Sento-Sé sede. 1º distrito.

Minas de Mimoso – Distrito sede 7º Distrito.

Povoados: Cabeludas, Limoeiro da Batateira, Lages, Sítio, Fartura, Alegre, Campo Largo, Gruna, Barriguda, Lagêdo, Malhada da Umburana, Gangorra, Riacho do Santo Antonio.

Pirí – Distrito sede 2º Distrito

Piçarrão – Distrito sede 6º Distrito

Povoados: Algodão, Minas do Incaibro, Olho Daguinha, Brejo de Dentro, Brejo de Fora, Brejo da Martinha, Café da Rosa, Lagoinha, Morrinhos, Caraíbas, Pau de Colher, São Pedro, Salgadinho e Bonifácio.

Américo Alves – Distrito Sede 3º Distrito.

Povoados: Quixaba, Bazuá, Riacho dos Paes, Capeado, Itapera, Andorinhas.

Amaniú – Distrito Sede 5º distrito.

Ponta D’água, Malvinas, Queimada do Junco, Capim Grosso, Barreiro da Ema, Barra, Pedra Branca, Maravilha, Itapicurú, Lagoa do Marí, Sanharó, Pioneira, Brejo da Brásida, Caititú,Tanque, Caracol, Porção, Ilhas da Ponta D’água.

Cajuí – Distrito 4º distrito.

Povoados: Volta da Serra, Aldeia, Pascoal, Limoeiro, Tombador de Cima, Retiro de Baixo, Retiro de Cima, Andorinha.

Os distritos de Sento-Sé estão na seguinte ordem:

1º sede, 2º Pirí, 3º Américo Alves, 4º Cajuí, 5ºAmaniú,

6º Piçarrão e 7º Minas de Mimoso.

VILA IMPERIAL

Apesar da CHESF, ter se comprometido com a população localizada na área de inundação da Barragem de Sobradinho, que preservaria as características sociais e culturais dos municípios inundados, em Sento-Sé ela nos causou (dentre muitos) um tremendo prejuízo inundando um solar de grande importância histórica, chamado “Vila Imperial” construído em 1600 na aldeia de Sento-Sé (Lins, 1960).Nessa propriedade está presente toda a história legendária da região do São Francisco, desde a fundação do Brasil, colonização e desenvolvimento do rio.

Francisco Garcia D’Ávila, chegou ao Brasil em 1549, na esquadra do Governador Geral, Tomé de Souza, que fundou Salvador e fez desta a primeira Capital do Brasil (Almeida Prado, 1950, Calmon, 1972, Goldman, 1973). Garcia D’Ávila construiu um Castelo (Torre) em Salvador entre os anos 1565 e 1609, o qual desempenhou um papel importante na defesa da capital quando o Brasil ainda se encontrava jovem e fraco. Recebeu o título de Conde da Torre (ou Conde do Castelo) e começou a adquirir terras do vale do São Francisco.

Por volta de 1573, a família de Garcia D’Ávila se dedicava a criação de gado numa extensão de 340 léguas, onde o primogênito Antonio Garcia D’Ávila fundou a sede do condado pelo ano de 1600. O rio tornou-se conhecido como Rio dos Currais devido ao grande número de fazendas de gado existentes.

Os índios da região se encontravam em número reduzido e sem recursos, devido à perseguição incessante e à escravidão a que eram submetidos, desde que a expedição escravizadora de Duarte Coelho subira o São Francisco em 1543. O primeiro contato pessoal entre portugueses e índio foi realizado por Antonio Garcia D’Ávila, embora por simples casualidade. O chefe indígena local, Centoce, havia sido ferido numa escaramuça e abandonado por seus guerreiros. Antonio Garcia D’Ávila conseguiu curá-lo depois de uma longa enfermidade. Desse contato nasceu uma amizade longa e proveitosa entre ambos. O município tem o nome de Sento-Sé em homenagem ao chefe indígena, imortalizado em um busto esculpido em pedra e madeira de grandes dimensões, que enfeitava há muitos anos atrás a “Vila Imperial”. As fotografias desse monumento precioso e os móveis da “Vila Imperial” existem e estão com o ex-Deputado Jayro Nunes Sento-Sé (Robert Goodland, 1971), que acredita que o monumento em questão, ainda existe embora o seu paradeiro seja desconhecido. Por volta de 1658, o Conde da Torre havia estendido suas propriedades até 1400 léguas em volta de Sento-Sé (a maior fazendo do mundo), terra estas onde um gado numeroso foi criado e enviado a capital e a indústria açucareira florescente na costa do país (Calmon1939).

A indústria açucareira decaiu no Nordeste, enquanto que mais tarde o café se tornou a maior fonte de lucro do Sul, em matéria de exportação. Salvador caiu em declínio com a transferência da capital para o Rio de Janeiro em 1763. O Nordeste inteiro sofreu uma depressão que durou 250 anos. Durante essa depressão, a região do Rio São Francisco tornou-se o refúgio daqueles que viviam a margem da lei. Os principais acontecimentos foram o aparecimento de feudos mutuamente destrutivos e heróis de feitos épicos, que permaneceram por várias gerações (Proença, 1944; Iglesias, 1958; Figueira de Freitas, 1960).

Pilão Arcado foi por diversas vezes ponto de reunião do domínio de terror, com a luta entre o estabelecido Sr. Militão Plácido de França Antunes e a família Guerreira (portuguesa, adventícia que conseguiu o apoio do exército em seu favor. Derrotados em 1843, os Guerreiros se recolheram no solar em Sento-Sé).

Mais tarde, o famoso Coronel Franklin de Albuquerque (1881 – 1944) se estabeleceu na Vila Imperial de Sento-Sé, antes de se transferir para Pilão Arcado. Ele participou de muitas batalhas sangrentas incluindo a que localizou e acuou 900 rebeldes chefiados por Luiz Carlos Prestes.

Esse panorama histórico da região demonstra o significado que tem o solar de Sento-Sé. Foi restaurado em 1873, data constante no brasão que figurava sobre a porta de entrada do solar da Vila Imperial.

Talvez o descendente mais importante dessa família seja Fernandes da Cunha, convidado do Comandante-em-chefe das Forças Armadas, Marechal Deodoro da Fonseca (1827 – 1892) para ser o primeiro Presidente da República. Declinou, porém, do convite, por ter servido anteriormente como Ministro das Relações Exteriores na Corte Imperial.

Apesar dessa imensa tradição cultural, Sento-Sé não foi considerada Patrimônio Nacional. A “Enciclopédia dos Municípios” registra a “Vila Imperial” do Conde da Torre como tendo sido preservada como monumento, o que lamentavelmente não corresponde à realidade, pois com a inundação a CHESF apagou 400 anos, de nossa história, onde o monumento poderia esta servindo hoje como referência cultural do nosso povo, e atraindo recursos para o nosso município através da exploração turística.

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